Agrupamento de Escolas Eugénio de Andrade

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O nosso Patrono

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Ilustração do nosso       patronoEugénio de Andrade, um dos maiores poetas portugueses contemporâneos, nasceu a 19 de Janeiro de 1923 na aldeia de Póvoa de Atalaia, no Fundão, com o nome de José Fontinhas.
Publicou o seu primeiro livro Adolescente em 1942 mas a sua consagração como poeta aconteceu seis anos mais tarde, com a publicação de As Mãos e os Frutos que mereceu os aplausos de críticos como Vitorino Nemésio e Jorge de Sena. Dois anos depois foi editado Os Amantes sem Dinheiro e, no ano seguinte, As Palavras Interditas. Em 1956 morre a sua mãe, figura tutelar da sua vida e da sua obra, em cuja memória publicou o livro Coração do Dia. Após a publicação de Ostinato Rigore, em 1964, verificou-se um interregno na sua produção poética e só no final de 1971 deu à estampa Obscuro Domínio. A partir daqui, escreveu ininterruptamente: Limiar dos Pássaros (1972), Branco no Branco (1984), O Sal da Língua (1995), Os Sulcos da Sede (2001), são volumes exemplares do seu trabalho.
A poesia de Eugénio de Andrade caracteriza-se pela importância dada à palavra, quer no plano imagético quer rítmico. Os seus poemas, geralmente curtos e aparentemente simples mas de grande profundidade, privilegiam a sublimação dos sentidos e uma linguagem depurada e transparente que traduz a pulsação do quotidiano.
Eugénio de Andrade revelou-se igualmente um notável prosador, tendo publicado três livros em prosa: Os Afluentes do Silêncio (1968), Rosto Precário (1979), A Sombra da Memória (1993), onde encontramos textos sobre a música, a pintura e a poesia, mesclados com recordações de infância. Organizou diversas antologias das quais destacamos as dedicadas ao Porto (onde residiu durante cinquenta e cinco anos), com os títulos Daqui houve nome Portugal (1968) e A Cidade de Garrett (1993).
Em 1976, este autor publicou a sua primeira narrativa para crianças A História da Égua Branca seguindo-se, em 1986, o livro de poemas dedicado ao seu afilhado Miguel Aquela Nuvem e as Outras.

Em 1982, o Presidente da República conferiu-lhe o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Em 1989 – um ano antes de ser criada a Fundação Eugénio de Andrade – ganhou o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro O Outro Nome da Terra. Nesse mesmo ano, recebeu o prémio Jean Malrieu para o melhor livro de poesia estrangeira publicado em França com a obra Blanc sur Blanc. Foi ainda agraciado com o Prémio Vida Literária, em 2000, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores, e com o Prémio Camões 2001, pelo conjunto da sua obra.
Apesar de ter falecido a 13 de Junho de 2005, Eugénio de Andrade mantém-se vivo através do seu legado. No seu poema “Urgentemente”, encontrámos um dos lemas para a nossa acção:


É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.


É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.


É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.


Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente permanecer.


In, Até Amanhã (1958)

Actualizado em Quinta, 02 Setembro 2010 23:23